segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Mídia Digital e Ética do Design

Nos últimos dez anos a quantidade de pessoas com acesso a telefonia celular e dados móveis aumentou exponencialmente, e podemos notar isso em nosso dia a dia quando vamos à supermercados, restaurantes ou esperamos o ônibus passar no ponto. Nessas situações, e em muitas outras, o passatempo do ser humano deixou de ser observar o entorno, conversar com pessoas e quem sabe até ler uma revista em quadrinhos ou jogar palavras-cruzadas para se tornar única e exclusivamente o seu celular.

A tecnologia está se tornando cada vez mais ubíqua, e nós estamos modificando os nossos hábitos em função dela, e para chegar à essa conclusão basta pensar em quantas vezes você tira seu celular do bolso diariamente, e nas atividades que poderia estar realizando caso não tivesse o feito. Isso não quer dizer que utilizar o celular e/ou aplicativos para trabalho ou comunicação seja ruim, o problema está não só na quantidade do uso, mas na qualidade também. Utilizar o smartphone para trabalho durante o almoço de aniversário de seu filho pode trazer problemas de relacionamento, porém parar de ver sua série favorita para responder a uma ligação importante pode ser benéfico.


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O grande causador dessa dependência da tecnologia é a maneira como os aparelhos e seus programas funcionam, que muitas das vezes são projetadas ignorando a vontade do usuário em prol da vontade do dono da empresa a qual, quase sempre, é o lucro. O Design pode ser usado como uma forma de estudo da maneira como entendemos o nosso entorno com a finalidade de projetar produtos que captem nossa atenção e conduzam nosso olhar e movimentos com mais facilidade que os concorrentes. O grande problema que isso causa é que todos os concorrentes são obrigados a fazer uso desse "Design-Controlador" para continuarem no mercado, o que inclui desde a invasão de privacidade até o mais sutil artifício como passar automaticamente o próximo episódio de uma série.

Empresas relacionadas a vídeo e filmes (Netflix, Youtube e até o Facebook) muitas das vezes utilizam artifícios como recomendar vídeos e séries similares (o que indica que eles violam a privacidade de seus usuários e justificam como sendo um dos Termos de Uso) e a passagem automática de vídeos. Ambos fazem com que o usuário passe mais tempo em contato com seu serviço, o que lhes dá mais dinheiro, mas que por outro lado não necessariamente torna seus usuários mais felizes ou satisfeitos. Na verdade, muitas das vezes esses se sentem mal por terem passado mais tempo do que deveríam em contato com tais redes.




As redes sociais já são mais acessadas pelos smartphones do que por computadores. Quando se percebe que esses já estão nas mãos de bilhões de pessoas, e que são checados em média mais de 100 vezes ao dia, o poder que têm as redes sociais e a quantidade de dinheiro que não só elas, mas também as empresas produtoras de smartphones movimentam ao ano tornam-se tão grande que poucos outros ramos da economia conseguem competir com elas.


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Infelizmente, mudar esse cenário a partir dessas grandes empresas é muito difícil, pois o que elas fazem é buscar lucro, e elas precisam lucrar para se manterem competitivas e inovadoras. Elas também têm pontos benéficos como facilitar a comunicação entre pessoas, e isso deve permanecer.

A minha proposta é um aparelho que ajuda o usuário de smartphone a controlar seu uso excessivo do aparelho, e talvez inclusive o alerta sobre os truques maliciosos que as grandes empresas utilizam para mantê-lo conectado o tempo inteiro. Esse aparelho estaria conectado ao celular e vibraria e emitiria sons de forma a distrair o usuário quando este estiver utilizando mal as redes sociais (procrastinando, passando muito tempo nelas, deixando de conversar com as pessoas à sua volta et cetera). Ele também terá um aplicativo de monitoramento relacionado à ele, com a finalidade de tornar o uso do celular mais benéfico para o usuário. Esse aplicativo terá um mascote carismático que partilha das vontades do usuário de utilizar menos seu smartphone e o ajuda com isso, avisando quando o uso está excessivo.

Explorando alternativas, poderia haver um aparelho que se conectasse aos smartphones em um ambiente de forma a monitorar seu uso - talvez em uma sala de aula, ou durante uma reunião - e alertar ao grupo de indivíduos quem está se distraindo com o celular ao invés de interagir com os demais ou prestar atenção ao que ocorre em seu entorno.



Postagem desenvolvida em parceria com Daniel Lucena


Referências:

https://journal.thriveglobal.com/how-technology-hijacks-peoples-minds-from-a-magician-and-google-s-design-ethicist-56d62ef5edf3

http://designices.com/a-etica-do-designer/


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