segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O Design não é o tampo de uma mesa





Esta postagem é a análise do texto "O mundo não é um Desktop" (em inglês The world is not a Desktop) do cientista da computação e pai da computação ubíqua Mark Weiser 


     Em seu texto, o autor critica interfaces que chamam muita atenção em computadores e televisões, apontando para um design mais simplista em termos de arte e forma para que torne as ferramentas diariamente utilizadas por nós invisíveis, o que, segundo o mesmo, caracteriza uma boa ferramenta. O autor sugere que os computadores sejam integrados à ações humanas naturais, para que, assim, realizemos nossas atividades sem perceber que estamos dando ordens à uma máquina (coisa que não acontece hoje em dia com os computadores pessoais).

        Sugere, também, o abandono do computador que conhecemos (presumo que sua forma, mas não necessariamente suas funções), e cita que trabalhou em um projeto para criar uma parede que funciona como um computador à base de caneta (usa-se a caneta como interface humano-máquina, e não um mouse ou um teclado). Para uma pessoa normal, a parede não é vista como um computador, que passa a ser uma ferramenta invisível.


     De acordo com meu conhecimento prévio, o que Mark sugeriu que o que vai acontecer com a tecnologia no futuro é a conexão de vários aparelhos domésticos e vestimentas, conceito mais conhecido atualmente como internet das coisas. Em uma casa do futuro, todos os aparelhos serão conectados à um grande computador, que controla todas as funções da casa para o usuário ou conjuntamente a ele, sem que esse saiba (ou sinta) que está comandando um computador como aquele que hoje está sobre sua mesa. A ferramenta sugerida por Weiser, seria, então, invisível.

    Ubiquidade também é outro importante conceito em Mídia Digital, criado pelo autor (não explicitamente nesse texto) e que realça capacidade da tecnologia ser (ou nos tornar) onipresente(s). Estaríamos sempre conectados ao resto do mundo e sabendo a todo tempo o que está acontecendo em outros lugares e, ironicamente, a tecnologia faria parte tão grande de nossas vidas que não conseguiríamos mais viver sem ela nem nos desconectarmos dela. 


      Acredito que já chegamos em tal futuro, ou que no mínimo parte dele já chegou até nós: o celular. Mesmo que boa parte da tecnologia digital existente ainda não seja completamente invisível, nós já nos acostumamos à ela e estamos sempre conectados. Inclusive já existem distúrbios comportamentais causados exclusivamente por esses aparelhos (como a FOMO* e a Nomofobia**). 

      Por mais interessante e divertido que seja trabalhar com tecnologia e inventar novas formas de interagir com ferramentas que, sem via de dúvidas, facilitam nossas tarefas, é importante manter os olhos abertos para os problemas que ela poderá trazer no futuro próximo (já estamos sentindo-os). Acredito ser um papel importante da Mídia Digital mediar a relação entre tecnologia e os comportamentos humanos, pois sua falta já está se mostrando prejudicial à muitos. 




O celular já causa mais acidentes de trânsito que o álcool




Fontes, referências etc:

* Sigla para Fear Of Missing Out (medo de não estar conectado o tempo todo ao resto do mundo e perder informações quaisquer)
**No Mobile phobia (medo de ficar sem celular)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mark_Weiser
https://pt.wikipedia.org/wiki/Computa%C3%A7%C3%A3o_ub%C3%ADqua
http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL804770-5598,00-USAR+CELULAR+NO+TRANSITO+E+MAIS+PERIGOSO+QUE+DIRIGIR+EMBRIAGADO+DIZ+ESTUDO.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário